quinta-feira, 9 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
quarta-feira, 1 de maio de 2013
quarta-feira, 17 de abril de 2013
Distração
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
Órfão
terça-feira, 2 de outubro de 2012
sábado, 28 de julho de 2012
Encontrei-me desperta, com um torpor de ressaca numa manhã penosa. Não desejava mover-me ou voltar a dormir. A luz diáfana atravessava a cortina, e incomodava meus olhos. Uma memória me impulsionava, e eu não a diferia de um pesadelo, com sentimentos conflitantes e estranhos.
Finalmente, movi-me pelo chão fresco do quarto, atordoada, forçada a refletir sobre o que me esperava no andar de baixo. Tive um vislumbre de mim no espelho, e voltei para ver melhor; era um lamentável reflexo: olhos dilatados, boca inchada, e uma feição desconhecida de um rosto que não parecia comigo. Por qual razão eu fui tão fraca e desprezível? Por causa da minha face, do meu ser, da minha educação? Por causa daqueles execráveis e arbitrários limites? Entretia-me em uma nova aversão àquela face, contorcida num esgar de prazer. Pus-me a exercitar o sentimento antes que ele se perdesse, e me olhava nos olhos. Aquilo me pertencia, e não gostaria que isso se desvanecesse na incompletude e na falta que sussurram em minha quietude. Um suspiro de retorno ao nada, ao ceticismo monocromático, à tontura torpe e à emoção do absurdo, como um bilhete de amor jamais entregue a ninguém.
domingo, 20 de maio de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Chuva.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Um começo infrutífero para o dia. Tinha feito planos para sair e dar provas da minha estadia bem-sucedida no topo da escala da sociabilidade juvenil. Inferno, mal conseguia ficar de pé.
Deslizei as pontas dos dedos em minha testa, numa tentativa medíocre de curar a dor latejante. Tropecei numa garrafa e pisei no meu próprio vômito. Adorável.
Liguei o som enquanto tentava me coordenar. As paredes finas indicavam sons lascivos do outro apartamento. Devem estar se reconciliando da briga da noite passada.
Algum tempo depois, fiz algumas misturas de tinta contemplando a tela em minha frente. Perfeita para expressar o que eu queria. Nada. Mas eu não ganhava dinheiro com arte moderna.
Um tema gritante; algo eufórico. Uma contraposição com meu estado de espírito. Talvez a apatia e afastamento. Deus, mais disso não. A escória dos sentimentos humanos; exatamente o que eu preciso para afundar meu humor.
Talvez a minha única oportunidade de ter uma expressão genuína fosse nessa tela. Eu possuía uma disponibilidade quase anormal para me distanciar de explosões de humor: euforia, tristeza, afeto... Não chamaria de apatia natural; apenas algum tipo de indisposição. Surpreender-me desligada em pensamentos em meio aos desabafos contínuos de conhecidos rendeu-me boas horas de tranquilidade. E uma repelência para todas essas pessoas.
Uma tela romântica.
Muito apropriado retratar o amor e todas as suas virtudes, uma vez que eu me excluía da lista de pessoas que ganharam esse sentimento de presente dos céus (!). Eu adorava casais apaixonados; observá-los não me incomodava em absolutamente nada, ao contrário das queixas que ouço frequentemente. O amor aumenta a vulnerabilidade, diminui o raciocínio. Arremessa as pessoas numa linguagem poética natural. E a beleza, e a contemplação... A tragédia.
Os jovens que choram copiosamente sob uma circunstância qualquer, em meio às juras de amor infinito. A memória humana é fraca demais para absorver algo que sequer é alimentado. Num término de namoro, ou numa idealização platônica a maior dor é auto-infligida. Sofrer por amor é poético (uma vez que você é imerso nisso). Não muito saudável, entretanto.
Imagino minha representatividade para o amor; não sou acolhedora com interpretações de flertes e jogos cansativos. Observá-lo de longe me faz imaginar quão indigna eu devo ser dele. Oh, da tristeza também.
Nada.
Contemplei a tela em branco, quase desligando minhas divagações em meio às imagens mentais.
Outro copo de vodka e uma boa distância dessa tela. Um brinde ao amor.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
Pensamentos aleatórios.
O tempo transcrito em desejos, a expectativa, e a ausência de impossibilidades.
A prévia inocência no claustro do seio materno.
O silêncio meditativo no paraíso é fundido em contemplação.
A passividade expectante.
A boa indiferença.
A ruptura.
A dependência.
A balbúrdia.
Sonhos condensados em amor profundo.
O despertar.
A nova espera.
O ínterim.
Um cigarro e uma música sussurrada.
Sozinha na noite silenciosa, ela mergulha na melancolia das possibilidades.
A busca do sentido da sua nova incompletude.
Faz a importante descoberta de que há outro ser humano indistintamente importante.
O apaixonamento.
A misteriosa felicidade.
O esquecimento.
Despediu-se, confusa.
A má indiferença.