Percebo
minha face no espelho. Sou jovem. Uma adolescente em êxtase
transbordante de vida. Entretanto, a cada dia me percebo como quem
fica mais velha. Cada segundo me torna próxima de algo
incompreensível. Cada dor ínfima e externa faz com que minhas
células se espalhem frias, rijas e escuras. Cada desdém ao meu
redor acrescenta uma década à minha existência.
Por fim,
morrerei.
Hoje
percebo meu pulsar onírico, minha intermitência bem-aventurada. A
atrocidade transbordante se foi com a calamidade e eu respiro a paz.
Nada deveria importar.
Despertei
como quem escapa de um rumo terrível e sem volta que jamais deveria
ter seguido, sob influência de outros. Estou confusa, mas tudo é
convidativo ao meu bem-estar. Logo me torno esquecida e me deito na
estabilidade do mundo.
Um comentário:
Muito bom, principalmente a 1a parte, também me sinto velho por causa de algumas coisas citadas, parabéns.
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