domingo, 20 de maio de 2012


Percebo minha face no espelho. Sou jovem. Uma adolescente em êxtase transbordante de vida. Entretanto, a cada dia me percebo como quem fica mais velha. Cada segundo me torna próxima de algo incompreensível. Cada dor ínfima e externa faz com que minhas células se espalhem frias, rijas e escuras. Cada desdém ao meu redor acrescenta uma década à minha existência.
Por fim, morrerei.

Hoje percebo meu pulsar onírico, minha intermitência bem-aventurada. A atrocidade transbordante se foi com a calamidade e eu respiro a paz. Nada deveria importar.
Despertei como quem escapa de um rumo terrível e sem volta que jamais deveria ter seguido, sob influência de outros. Estou confusa, mas tudo é convidativo ao meu bem-estar. Logo me torno esquecida e me deito na estabilidade do mundo.

Um comentário:

L disse...

Muito bom, principalmente a 1a parte, também me sinto velho por causa de algumas coisas citadas, parabéns.