Parado numa esquina, inquieto, olhava um ponto fixo na
calçada. Visava quase sempre o chão, ignorando os olhos dos transeuntes. Seu
amigo surpreendeu-o com um tapa, oferecendo-lhe um cigarro. O menino aceitou,
com suas mãos pequenas.
Foi procurar sua mãe, enquanto recolhia jornais velhos do
lixo. No caminho encontrou um grupo de meninas do colégio particular da
vizinhança, que riam efusivamente. De imediato, pararam. Olharam-se de uma
forma que certamente acreditavam ser discreta, e apressaram o passo, em
silêncio contido. Ele tentou observar o chão, mas os sapatos das moças ainda
estavam obstruindo a plenitude do que via.
Tirou um confeito que estava guardando do bolso. Degustou
nervosamente enquanto andava pela rua deserta. Um senhor e um jovem adulto
passavam, na portaria de um prédio. À sua vista o senhor falava alto, pouco antes
de entrar, e para quem, era apenas uma suposição. “Esses moleques vivem
infestando a rua. Eles não têm culpa de terem nascido, mas os pais sim! Os pais
ficam escondidos enquanto colocam os moleques pra vender chiclete no sinal, por
isso não dou esmola pra criança nenhuma!”. O menino ficou um pouco confuso
sobre como deveria aceitar aquela declaração repentina, imaginando que fosse
algo superior à sua ignorância infantil.
Encontrou sua mãe encolhida perto de uma árvore e de uma
loja fechada. Estendeu um jornal por cima dela (começava a sentir uma brisa
fria, já que estava escurecendo, e não queria que ela ficasse doente), e
acomodou-se contra o seu corpo.
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