quarta-feira, 1 de maio de 2013


Parado numa esquina, inquieto, olhava um ponto fixo na calçada. Visava quase sempre o chão, ignorando os olhos dos transeuntes. Seu amigo surpreendeu-o com um tapa, oferecendo-lhe um cigarro. O menino aceitou, com suas mãos pequenas.
Foi procurar sua mãe, enquanto recolhia jornais velhos do lixo. No caminho encontrou um grupo de meninas do colégio particular da vizinhança, que riam efusivamente. De imediato, pararam. Olharam-se de uma forma que certamente acreditavam ser discreta, e apressaram o passo, em silêncio contido. Ele tentou observar o chão, mas os sapatos das moças ainda estavam obstruindo a plenitude do que via.
Tirou um confeito que estava guardando do bolso. Degustou nervosamente enquanto andava pela rua deserta. Um senhor e um jovem adulto passavam, na portaria de um prédio. À sua vista o senhor falava alto, pouco antes de entrar, e para quem, era apenas uma suposição. “Esses moleques vivem infestando a rua. Eles não têm culpa de terem nascido, mas os pais sim! Os pais ficam escondidos enquanto colocam os moleques pra vender chiclete no sinal, por isso não dou esmola pra criança nenhuma!”. O menino ficou um pouco confuso sobre como deveria aceitar aquela declaração repentina, imaginando que fosse algo superior à sua ignorância infantil.
Encontrou sua mãe encolhida perto de uma árvore e de uma loja fechada. Estendeu um jornal por cima dela (começava a sentir uma brisa fria, já que estava escurecendo, e não queria que ela ficasse doente), e acomodou-se contra o seu corpo. 

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