Encontrei-me desperta, com um torpor de ressaca numa manhã penosa. Não desejava mover-me ou voltar a dormir. A luz diáfana atravessava a cortina, e incomodava meus olhos. Uma memória me impulsionava, e eu não a diferia de um pesadelo, com sentimentos conflitantes e estranhos.
Finalmente, movi-me pelo chão fresco do quarto, atordoada, forçada a refletir sobre o que me esperava no andar de baixo. Tive um vislumbre de mim no espelho, e voltei para ver melhor; era um lamentável reflexo: olhos dilatados, boca inchada, e uma feição desconhecida de um rosto que não parecia comigo. Por qual razão eu fui tão fraca e desprezível? Por causa da minha face, do meu ser, da minha educação? Por causa daqueles execráveis e arbitrários limites? Entretia-me em uma nova aversão àquela face, contorcida num esgar de prazer. Pus-me a exercitar o sentimento antes que ele se perdesse, e me olhava nos olhos. Aquilo me pertencia, e não gostaria que isso se desvanecesse na incompletude e na falta que sussurram em minha quietude. Um suspiro de retorno ao nada, ao ceticismo monocromático, à tontura torpe e à emoção do absurdo, como um bilhete de amor jamais entregue a ninguém.