"There is no shelter in you anywhere;
Rhythmic intolerable, your burning rays
Trample upon me, withering my breath"
― Edna St. Vincent Millay
estagnado na parede
um cristo em agonia
e a poeira dos livros
registra a imobilidade vigente
como em mil anos de inércia
há fendas
e pó
e esquecimento
em tudo
cada movimento é uma fratura
os ossos insistem e seguem
cada passo é doloroso
ou indeciso
nessa conjuntura específica
o vi
soldado em
nervos
vibrante em curiosidade
retida em poucas ações
o receio por me fazer partir
me obceca
emerge do bronze
de membros vulneráveis
o tênue
desalinho dos dedos
pelos cabelos
os olhos
comprimidos iridescentes
irradiam o êxtase
compatível
com a perda da memória
o sol luminoso no azul intenso
a rua gera sensações múltiplas
a sinestesia constante
me fere
mas por algum motivo há ouro
a memória é vaga
e se repete
o fluxo de estímulos
faz correrem rios
de inconstância
que pela natureza contraditória
nunca existiram
aqueles olhos
me observam
contra o sol
lacerante
seu olhar se exulta
ainda incapaz de felicidade
eu compreendo
mas me comovo
e me recordo por muito tempo
observo
enquanto divago
ébria e triste
ébria e triste
a esmo
como ele se regojiza
e sorri e concorda
sem palavras
como se habitasse uma memória
marmóreo
o corpo é longo e está imerso
o corpo é longo e está imerso
no manto cristalino
ígneo
que se prolonga pelo mundo inteiro
a dormência dos membros
me emudece
sinto a insensatez
na retina
crivada de pontos luminosos
não existem íris mais ermas
como essas que me solicitam
constantemente
constantemente
para imergir em solidão absoluta
basta mirá-las