terça-feira, 31 de dezembro de 2013

em meio a nuvens brilhantes, indômita;
aponta os ânimos da luz consumida
em apreensões e toxinas de um riso amável,
que um lamento encoberto percorre a constrição

nesta invenção lasciva de ânimo indolente;
e abandona-se a forma, molestada pelos anos,
sob a opressão do frio pousam os pés arroxeados;
e a instintiva torção e a postura descuidada.

entre passos sucessivos,
cada esforço fraturado
existe, e na dimensão do invólucro
a asserção do corpo não reverbera.

como se a violência excessiva acolhesse
uma confusa indiferença dos símbolos
e a situasse
num lugar ordinário.

o cabelo desarrumado une-se ao travesseiro,
numa cômoda desordem de abatida conciliação
de versos calados e desejos submissos,
e do corpo desabita-se o domínio estreito.

domingo, 8 de dezembro de 2013


desaba
expira
- pancada - 
com a face voltada para o chão
torcendo para que uma cova
se abra.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Assim vem a brisa, para me lembrar da leveza da voz seguramente arrastada, que me deixou completamente só; acolhendo uma canção monótona, pensando sobre todas as regiões inalcançáveis, e sem lembrar do que amar. Então, vamos nos limitar a breves suspiros, e nos concentrar no domínio da natureza, muito mais forte do que a angústia enclausurada pela qual se opta comumente.

E nossa definição de tempo não permite uma última palavra, pois esta se abandonaria, antes da própria evidência em pronúncia; se estrangularia na garganta, incrementando-se e cerceando seus vastos sentidos, até que a brisa a desloque para muito além de nós mesmos, gradativamente, como todo o resto que caminha. Todos os corpos possuem projeções nas sombras, e assim é a palavra que nos arrebata com sua equivalência negativa, sua demanda de silêncio.


“A espera é um equívoco”.
Se assim fosse, todas as ações humanas movidas pelo arbitrário (não tão arbitrário posto o aspecto decisório dos elos sentimentais) seriam equívocos iguais. Não há uma resposta para qualquer orientação.
“A expectativa é um erro”.
Assim como qualquer noção pré-determinada de acordo com a convenção. O que seria, então, a manifestação do desprezo pela esperança habitual, senão a negação e repressão da própria vontade expectante? Uma tentativa de conduzir e condicionar o que não poderia ser manifesto.