um pressentimento de algo a ser
dito
algum entendimento que me
constitua
numa fala
sem que me reduza à reverência
com o olhar voltado para o chão
um sonho demasiadamente elevado
e se eleva, ainda
sem poder fazer da memória
habitação
o ápice
dos limiares que percorri
desconhecendo o que me cabe
no átrio, o despertar
observo as silhuetas
que me restituem aos moldes do Tempo
um jovem em adoração
glorifica a amada
com chavões intencionais.
e um bêbado disperso
que por nada compreender,
sorria, indolente
na figura, o aspecto suspenso
do aprazimento
reverenciando a si próprio
e de mim,
a extasia
exalava
numa convicta estabilidade
da luz insone,
meus pés decididos
movimentavam a passagem duvidosa
a consciência me soa
sutilmente
carecida do apelo
sempre o mesmo
sempre
e entre os amantes
houve a fala
e lá se descobria
sua nudez
muito expostos, sentiam-se
por pressentirem-se relacionados
destituíram-se de equilíbrio
e clarividência
que muito se equiparariam
ao desespero)
e foi a resposta que encontraram
para escaparem da punição
da existência terrena.
da existência terrena.
vencida pela lucidez,
não haveria fascínio
que me distraísse
(assim eu repetia, como
todo raciocínio falacioso
que percorria minha imaginação)
eis a substância
da realidade imediata
reconhecida pelo decorrer dos dias
protegida por um mundo
de nomeações.
por onde caminharia a alma sem o
corpo?
e entre os espaços
entrelaçam-se as dúvidas
sobre como celebrar
essa conveniente urgência
da momentânea habitação sensorial.