quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Distante. Eu desvaneci sob a escuridão da noite.
Com a consciência alterada, via imagens difusas pelo céu estrelado, percorrendo minhas reminiscências. Ouvia ecos de meus amigos rindo do meu estado, embora minha mente estivesse fixa em algum tipo de miséria atemporal. Ninguém me levaria a sério. Sorri.
Haviam ruídos incessantes, mas meus olhos se moviam com as imagens fantásticas que preenchiam minha noção pobre da realidade. Eu manipulava a felicidade do imaginário e poderia mergulhar nisso; abandonar todas aquelas pobres criaturas na mediocridade.
A música era alta, a casinha estava coberta de jovens. Um casal estava tirando as roupas pela grama. Pousei meus olhos ali por um segundo; um rosto conhecido. Vertigem. Virei-me; tropecei. Apoiei-me e deitei novamente no chão. Olhava para a lua, gloriosamente cheia enquanto fazia o movimento automático e condicionado por mim mesma de arranhar meus pulsos para me distrair.
Oh.
Risadas.
Balancei a cabeça, cantarolei. Começava a ouvir os gemidos por perto, e sentia que era a hora de tentar sair novamente. Meu mundo fantasioso girava e me enfrentava, irrompendo da insegurança. A felicidade seria magnífica, assim como seu oposto indefinível, naquele momento. Eu deveria conter os soluços, como a garota educada, em sua relação simbiótica com a mãe.
Aversão. Ódio. Estes me eram sentimentos relativamente raros. Estava consciente o suficiente para considerar isso e esbocei uma risada, estupefata pela surpresa. Perdi a disputa, tomei consciência de minha debilidade. Cambaleei até o lugar mais distante que meus pés alcançavam naquele momento. Amanhã tudo voltaria ao normal, e eu imaginaria novamente como eu modifiquei as perspectivas, tornando-as absolutas num espaço ínfimo de tempo. Dei um encontrão com uma árvore e voltei ao chão.
Ao fundo, ouvia gritos de prazer e miséria.

2 comentários:

Highlander disse...

É tão triste quanto é bonito este texto. Tem algo que lembra-me coisas feitas por nossa amiga em comum.

Lary C. França disse...

Perfeito *_* As citações do que está acontecendo ao redor combinadas com os devaneios, pensamentos e inquietações e ações do eu-lírico são perfeitos *_* Transmite belas sensações não tão comumente transmitidas na literatura. Amay mesmo *_*