sexta-feira, 27 de setembro de 2013

trilha sem pegadas de outra circunstância; roupas sem sustento, balouçando com o soar dos sinos, habituados ao contar dos minutos, dos segundos que não podem ser ouvidos, do tédio dos dias, da demora que engendra coisas que são desfeitas com o passar dos anos, do momento da espera por mais. o lapso da brisa que conduz o som, através do branco amarfanhado das roupas, indefinidas em inteireza, que me procuram, abundantes, cerceando; deslumbres, extasias – anima que no próprio âmago estua –. das nuvens migratórias elevando o ontem que não se quer de mim; o prolongamento da matéria; o conflito exasperante dos corpos, – a arritmia matutina; os lençóis vertidos em mortalhas sem nódoa, julgados pela brisa, disforme, violentamente, açoitando, bruscamente, ruidosamente; – o barulho, no passar do que é visível, na derrocada do dia, na solidão; na apatia hesitante que é suspensa com o tempo vertido em substância.

[um vislumbre dos lábios que se movem, sussurram à distância do próprio tempo. o involuntário movimento mecânico do corpo que anseia pelo que os olhos não podem ver, evidencia a fadiga e a inércia do julgamento. fadiga enquanto se cava os restos da totalidade – inércia do próprio desdém.]

seda vertida em ferro inviso, um nó de aço – insta a vítima, que se debate; sem poder se desfazer na eternidade; no pensamento que se eleva, que consome, e só nos cabe a observação expectante – do instinto primordial do universo de sujeitar cada coisa à sua própria queda –. pois mesmo em tecido amarfinado, e ornado nó tocado pelo vento – sendo um laço, não haverá de ser brando.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

transluze – agressões –
da ebúrnea tranquilidade entorpecente
lamento rubro fluído
inflamando sob o tato
a tomar-lhe, causticante
sangrando o toque - existência
profusa e intimamente
a largos passos murmurantes;
desapego lenitivo
resignado à lucidez
revestindo o que inebria

devastação;
incendido, ferimento,
espaçado
fina epiderme escura
carecendo, intimamente,
relativo encontro,
estrepe e pele
afrontando, fricção –
...e resvala.

transcorre rente à sinuosidade
secretando, deslocando
oscilante, suspenso estanque
entre o âmbito gravitacional;
hesitação, continuidade -
alastro ostensivo que pinga
desagregando numa poça.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

quietamente, sob a sombra de uma divindade com olhar conciliatório de atribuição luminosa, como o próprio sol. a sombra atribui forma ao brilho. forma-inexistência. elevado resto intuitivo; o pensamento, a metáfora, a natureza da expressão, o deslizar sutilmente, resto de resto, sombreado do pensamento; sempre acima. inexiste a palavra, sobra o resto, prolonga o gesto; o sorriso, que possui natureza silenciosa. se é válido reportar-se sobre a condição dos fenômenos, este é o fim.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

e findou o trajeto tal qual que pensa e caminha e pensa. ameno, absorto, em gesto cambaleia, considera as circunstâncias, alonga o andar austero pela pista, paralelo, disperso, disperso, disperso; evade-se rua-a-rua. a pista, passada, empecilho, é o retorno em novo movimento, faixa de pedestres, empecilho, desvio de rumo. não afeito a carros, mas a trem, perpassa lugares desconhecidos, investiga caminhos e em impossibilidade se retoma. o trilho se constitui a cada movimento, em visões-anomalias advindas do dentro-pálpebras e irradiadas ininterruptamente. o anseio tido num fim; casa, finda o ciclo. e recorda, e fez dádiva do imediato, silencia e provoca ânsia da queda-livre de um não-corpo em dormência.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Nomes chamuscam, clama-se por adoração, evoca-se o nulo, em não intervalos, em impensamentos. São brilhos agressivos, ondulações suaves; feixes de luz de cores infinitas. Descontinuam, Ser e nome.

O avermelhado na pele acobreada. O azul no torso arqueado. O violeta borrado é superfície branca. Deslizam lentas, gotas que se encontram em choque célere. Voz grave, timbres roucos em deleite; vazios sentidos se apuram; agressivamente nulo, ardilosamente íntimo. Movimento apressado, contínuo; encrespando-lhe o orgasmo encharcado de sexo. O cenário não muda, não movimenta, mas se desfaz. Flashes que cerceiam segundos nocauteados. As formas se focam na luz sem cor, multicor, insuperando no ato exprimido. Os corpos cessam, as luzes giram, os ruídos são distantes e contínuos. Perdido o êxtase, submetem-se. O espaço vê-se movediço. Uma queda do desfalecer. Há a necessidade de se desfazer da expressão, cedê-la ao exterior, tornar-lhe compreensível. Percebem, quietos, o ambiente. Gritos ocupam distâncias. Sorrisos lânguidos. O lugar é visitado pelo tempo, inevitável. O acanhado movimento orgânico é apreensivo. O silêncio da matéria retoma a vida que não se quer dela. Adormecem. Presenças fulgentes em sonhos ébrios.