Ela estava sentada num banco da rua, às três da madrugada, sob a chuva. Em sua feição havia algo de indiferente. Ela sentia a problemática de sua existência como uma incógnita irremediável. Não existia motivação, num contexto geral.
Suas estreitas reminiscências eram amargas. Preferia a liberdade. O caminho oculto por trás das árvores, o fluxo indistinto de pessoas.
Incauta e solene, não deveria voltar. Não deveria encontrar as mesmas pessoas, não deveria dispor-se àquilo que estava disposta a fazer. A amabilidade e confiança daqueles dias gloriosos tornaram-se risíveis.
Os sonhos constantes eram passagens metafóricas de algo que não gostaria de admitir.
Eu não me lembro.
A derradeira lágrima, já antiga, evocava muitas perguntas. Não imaginava uma emoção tão intensa que a pudesse inspirar algo assim.
Deveria ser bom.
A efusividade e o desgoverno. Sua vida seria assim, não seu coração.
São espasmos antigos.
Esboçava um adeus gentil e afável, num contexto bonito e elegante. Mas tudo o que conseguia era uma fuga involuntária, uma distância segura. A bênção do silêncio que conforta. Não havia nenhuma lembrança dos outros em relação a ela, pois assim ela determinou.
Um lapso de amor em efemeridade.