terça-feira, 19 de julho de 2011

Inocuidade.

Aqui, o eu que se encontra no espaço alucinatório permanece espalhado por todos os lugares, como todos aqueles que se fundem com a melancolia.

Às vezes uma idéia permanece sendo apenas uma idéia. Um sopro fugaz de algo possível. Uma combinação de aspirações quiméricas. Não há poesia num solilóquio íntimo e efêmero. É tolice esperar que as idéias se mesclem e tomem forma e consciência exterior. Que se juntem num acaso solto e livre, para se tornarem uma ambição planejada e infrutífera de espaços íntimos.

Há quem reconheça a beleza da espera e do silêncio, mas não há mérito algum quando o observar de longe é apenas uma passividade expectante e inócua. Uma idéia que espera ser preenchida, mas que é confundida com nada por outros. É de uma fealdade insípida e repulsiva. Sinto essa repelência em meu âmago, sob um véu de seriedade e prudência.

domingo, 19 de junho de 2011

Nasce a discordância,

Nasce a dramatização temporal,

Nasce a reminiscência,

Nasce a vigilância,

Nasce o temor.

Discorre-se sobre tudo mais;

Exclui-se de tudo,

Em meio às inúmeras defesas contra o real,

Exclui-se o insolúvel

Nasce a negligência;

Amenidades dissolvidas -

A falsa transigência,

A perene licença poética.

Uma fuga trepidante da existência.

Um ínterim entre a vida e a morte.

Gênese II - Falta.

Agora, não se ouve ruído algum. Penso com clareza em pensamentos inócuos, outrora perniciosos e cobertos por uma neblina sentimental.

Descanso, quietude. Já possuí muitas gêneses e consciências repentinas. Agora percebo o peso que se fora, com a desistência aparente da falta. Não a falta universal - a falta que me faz carecer de um grande sentido de existência - mas a falta do Outro.

Momentos de insanidade poupados; uma espera silenciosa. Uma consciência vigente: a falsa libertação. A desistência anunciada camuflada pela defesa inconsciente.

Sinto falta da infância, da surpresa, do agrado. Hoje sou agraciada pelo auto-engano paradoxalmente racional, a superficialidade dos bens materiais, o imediatismo, a distopia. Memórias reminiscentes deformadas, vertidas em algo belo.

Uma passividade imersa em complexidade, um lago pequeno, mas profundo. Um penhasco que atentará em vertigens aquele que se atrever a olhar. Torço para que seja a vertigem que incitará o mais despreparado a um mergulho na escuridão.

Gênese I - E o ínterim vazio.

Tu me agracias com tua nobreza. Um sorriso singelo e indulgente. Medo, escárnio: nenhuma dessas emoções é claramente demonstrada. Há uma barreira; há penhasco, há uma ilusão. Você me inspira muitas sensações discrepantes, que beiram ao extremo de qualquer coisa, mas agora a minha melhor manifestação possível é a desistência.

A serenidade intransponível beira ao adorável. Tu que és a fada brilhante que inspira sentimentos cálidos; que suscita a reminiscência dos pecados já perdoados. O ventre criador; a pérola brilhante de outrora. Meu servo curva-se perante sua beleza; e eu também.

Encarnas no corcel negro, a criação demoníaca. O tufão da morte ceifadora. Impregnado na luxúria; és o vampiro insensível que propiciará minha última respiração. Do fundo de meu âmago, percebo a minha necessidade por ti, um príncipe vaidoso, agora imerso num encantamento terrível. Foi mantido congelado, e no gelo permanecerá.

Meus pensamentos distorcidos, minha insistência muda, nada é sequer remotamente percebido. Peço exílio, mas tu não consegues desviar da tua própria imagem do espelho.

Deparo-me com gênese do que está por vir. Tu, que beiras ao inalcançável, descansa na imortalidade da tua torre de loucura, enquanto eu mergulho na sanidade da morte.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Porão.

- Eu sonhei com você noite passada.

- Mesmo?

- Sim, mas eu não poderia definir o sonho direito. Não vou dizer que ele era estranho, mas era triste. Quer dizer, depende. Eu estava com você e havia uma grande tapeçaria. E, bem, era um baile.

- Me parece um sonho muito agradável.

- Bem, no baile eu estava sem par, enquanto você me apresentava sua noiva, - ela prosseguiu rápido após uma breve objeção dele – no sonho, sabe.

- Sei.

- De repente o sonho mudou, eu acordava e percebia que você não me conhecia. Parecia um amor platônico, o meu. Eu ficava triste por ter acordado.

- Você costuma sonhar muito comigo?

- Não, só essa noite – ela baixou os olhos, corada.

O gesto foi seguido de uma carícia em sua mão e um beijo quase imperceptível. O homem, muitos anos mais velho que ela, observava ternamente o olhar da jovem focado no horizonte.

- Bem – ela prosseguiu – já imaginou com seria se você nunca acordasse?

- Não.

- Mas todos deveriam ter imaginado algo assim. Parece estranho mas, algumas pessoas confundem isso com morrer.

- E não seria morrer?

- Não, por que você ainda estaria respirando. Morrer implica em abarcar um grande vazio ou algo assim. Não sei definir o “não ser”. Eu estava pensando num estado de sonho permanente. Algumas pessoas desejam morrer quando simplesmente não querem mais ter consciência do presente. Perder os sentidos ou algo assim; não implicaria morrer de verdade.

- Um desmaio regado de remédios?

- Isso não parece muito poético.

- Eu não pretendia ser.

Ela encostou a cabeça em seu ombro, olhara o anel de noivado em sua mão, silenciosa. Permaneceu assim até que a voz grave de seu companheiro esboçasse uma música suave em seu ouvido, que ambos conheciam. Ela riu levemente com seu esforço, mas achou agradável. Extasiava-se em júbilo.


Eram sete da manhã e ela permanecia imóvel na cama. A respiração era pesada e seria muito cedo para que alguém percebesse seu estado. A noite se foi e o dia passava rápido, indiferente e brilhante, com o sol queimando seu rosto delicado com raios diáfanos que atravessavam o vidro empoeirado. Tocavam seu rosto extasiado; como um visitante incoveniente que batia à sua porta enquanto apreciava fotos antigas no porão. Ela teria atendido se pudesse abrir os olhos.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Ele era o único ser que permanecia naquela parte do parque. Falava consigo mesmo e esboçava gestos. Seus olhos, contornados por marcas profundas de um tempo distante, pareciam refletir alguma felicidade.

Qualquer um que o visse, através senso comum, o julgaria insano. Seu rosto plissado, sujo e a falta de senso estético, juntamente com o comportamento excêntrico fariam com que ele recebesse esse título (que aceitaria de bom grado, se prestasse atenção no que diziam).

Não gostaria de viver no passado ou através de lembranças de uma juventude paradoxalmente utópica e esquecida, mas desde que o rumo e o sentido da sua vida passaram a se construírem num pilar principal; e esse pilar, por sua vez, abandonou este mundo, ele já não via mais as coisas como detentoras de um sentido real, mas sim, projeções efêmeras que não representam algo muito valioso.

O pilar principal, ou sentido da sua vida, por assim dizer, estavam representados perfeitamente em uma mulher. Uma dama, alguns anos mais jovem do que ele, com quem compartilhara um pedaço do seu tempo de vida. Um pedaço com fragmentos contínuos do que ele imaginava que poderia ser a felicidade.

Durante todos os dias, sofria com alucinações simbólicas. Mas via miragens magníficas que eram constituídas de pequenos pedaços de lembranças da sua juventude. Isso, por vezes, o anestesiava, enquanto permanecia sentado o dia inteiro, inerte, à vista de estranhos.

Sua respiração disforme era acompanhada do palpitar de seu coração. Ninguém poderia jamais dizer o que ele via, tampouco desmistificar isso, acusando-o de louco. Seus olhos se fechavam para apreciar melhor a sensação, enquanto o coração desacelerava e a respiração se tornava abafada. Entrava em sono profundo, enquanto as pessoas apressavam ligeiramente os passos, hesitantes pelo seu aspecto sujo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Ela se deparava com uma manhã vertiginosa. Pelo chão, viam-se vários objetos que denunciavam as conseqüências da noite anterior: garrafas de vodka vazias, restos de cigarro, o homem que a amava, sobre o carpete vomitado...

Vestiu-se e saiu sem pressa. Sentia algo que se assemelhava a um torpor de sentimentos (mas se o fosse de fato, não estaria tão mal). Isso pela idéia de desistência que se apossara dela, impedindo-a de ver-se merecedora de qualquer fruição de sentimentos verdadeiros. Ela ria quando pensava na possibilidade; era engraçada, ao passo que em seu íntimo, parecia degradante.

Fingia o máximo de desinteresse (para si mesma) quando verificava o celular constantemente. Havia uma semana que ele não ligava (aquele que não estava estendido em seu carpete), mas uma esperança irracionalmente juvenil (desproporcional à sua idade) jorrava em seu âmago.

Resumidamente (ela era pragmática, não gostaria de nenhuma declaração prolixa e superficial sobre o amor verdadeiro); com ele, ela não se sentia como a lua, que tinha sua beleza destacada por um mero reflexo do sol; mas ela era o próprio sol. Essa idéia (em essência) a envaidecia.

Agora, paradoxalmente, orbitava em seu novo sol radiante, distante, impessoal. Sentia uma tristeza e imaginava que ele a esquecera. Seria o mais apropriado; mas ao menos, poderia guardar algo profundo que se assemelhava terrivelmente ao amor (em sua mente, já não sabia reconhecê-lo) e cultivar a tristeza da espera silenciosa.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Miriam caminhava pela rua sob o sol escaldante. Um sentimento de desistência a invadia quando pensava “naquela pessoa” em especial. Ela havia desistido, sem perceber, na primeira vez que o vira.
Cansaço, lentidão. Seu claustro a havia impedido de dispor de energia ao redor de pessoas amigáveis. Precisava estar só, mais do que se encontrava. Precisava mergulhar naquilo que contribuía para seu isolamento.
Miriam via a euforia guardada nas pessoas e lembrou-se que dispunha da mesma em sua infância. Invejava-as. A beleza naquilo contido no que é novo e emocionante parecia, quando vista em outras pessoas, bastante atraente. Estava cansada de dizer tudo mecanicamente, como uma ferramenta para afastar os problemas.
Encontrou seu noivo pela tarde. Imaginava se eles eram felizes, de fato (pois eram isentos de problemas típicos da maioria dos casais). Não sabia ao certo o significado da palavra “feliz”, pois a “insensibilidade é quase física”, pensava, sem saber ao certo se isso fazia algum sentido real. Apreciava sua companhia que lhe era fiel desde a infância. Eram íntimos, trocavam confidências e carinhos, mas Miriam não se comprometeria a abandonar seu claustro por outro ser humano.
A covardia que acompanha cada um, pensava, é algo lógico, mas inconcebível. Tentava inutilmente excluir-se disso tudo.
Miriam tomava café, rápido. Estava cansada de parar em lugares incômodos (como aqueles tocados por um sol escaldante), ter espasmos de crises existenciais e refletir sobre sua desistência covarde e muito bem-elaborada. Precisava voltar para casa e sublimar isso tudo da melhor forma que conhecia.

sábado, 27 de novembro de 2010

O frio mal lhe permitia pensar. Naquela madrugada insone, acendia um cigarro do lado de fora da casa. Olhou novamente as sete chamadas perdidas no celular e o desligou. Por um momento, fechou os olhos e sentiu o vento.
“Patético.”
Levantou-se, a medicação mal fizera efeito. Entrou no carro e dirigiu durante meia-hora. Fez uma ligação e esperou do lado de fora da outra casa.
Alguns minutos se passaram. Ele se mostrava indiferente.
Ela viera rápido, seu rosto ainda refletia um tanto da jovialidade que alguém daquela idade deveria apresentar. Os olhos fundos e o aspecto choroso mesclavam-se com sua beleza.
Conversaram durante alguns minutos e abraçaram-se ternamente. Ela parecia encher-se do tipo de alegria da qual estava se abstendo. Ele fazia questão de contribuir para isso da melhor forma que podia.
Ela entrou no carro, ele dirigiu até um motel simples no centro da cidade.
Por fim, amanheceu.
De volta ao carro, conversavam amenidades descontraídamente. O coração dela começava a acelerar com a perspectiva da sobriedade habitual. Sua casa estava perto e ele permanecia impassível. A jovem arremessava-se vertiginosamente naquele sentimento terrível (para si mesma) que a viciara.
Ela mirava seu olhar apagado, com acuidade, antes de fingir (desajeitada e inutilmente) um descontínuo controle sobre si mesma.
Nenhum compromisso era uma hipótese plausível; ela sabia. Só a culpa depois da embriaguez, a distância do delírio e a concepção de permanecer lúcida numa realidade inadmissível a faziam querer entorpecer-se ainda mais. Ele despedia-se rapidamente (precisava trabalhar), enquanto ela dava-lhe as costas. Virou-se, na esperança de testemunhar um olhar delicado e amoroso pousado sobre si, mas ele havia partido. Uma lágrima imperceptível iluminou sua face sob o sol. Então veio uma brisa fria, e ela lembrou de entrar para se aquecer.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Em noites claustrofóbicas em seu quarto desarrumado, ela projetava e cuidadosamente construía aquilo que poderia ser o ápice de suas fantasias. Era especialmente descuidada ao controlar suas emoções, pois via avidamente em determinadas pessoas a encarnação da sua idealização – boa ou má.
Não tinha idade suficiente para discernir os comportamentos entre si, manifestando em cada um extremos isolados da sua própria angústia.
Seus pais a levavam para brincar com as outras crianças, na época em que ela tinha problemas em sair dela mesma.
Quinze anos depois, escrevia avidamente num papel uma carta de despedida para um rapaz muito apaixonado por seu silêncio. Lera a carta algumas vezes e a reescrevera outras tantas, na esperança de alcançar alguma satisfação. Relacionava-se com alguém que sequer amara, unicamente para poder envaidecer seu espírito, tão solitário e confuso.
Mas esse tempo de felicidade limitada se fora; passou pela sua vida como algo efêmero e distante. Sequer tocara suas memórias mais protegidas.
O amor em si a incomodava. Não tinha nada contra sua definição, não procurava difamá-lo, mas ele fazia parte das coisas que poderiam fugir do seu controle, e isso poderia ser um problema em potencial. “Isso é desagradável” pensava. Obviamente, sua conclusão não surgira de solilóquios infindáveis relacionados ao amor. Ela o experimentara fervorosamente com sua pouca idade. O bastante para concluir que não era madura o suficiente para tamanho problema. Era inquieta quando estava apaixonada; passava por períodos que comparava a delírios e frustrações constantes.
Após enviar a carta, deitou-se em sua cama e ficou feliz por libertá-lo. E ainda assim, sentiu-se mais abandonada do que nunca, por razões indizíveis até para ela mesma. Ninguém poderia imaginar o que ela pensava, ninguém poderia saber de suas necessidades. Isso a entristecia. Era inexpressiva naturalmente.
Olhava-se ao espelho, não se reconhecia nem de longe. Perguntara-se inúmeras vezes sobre quem era mais feliz: ela, com toda sua pertinência em se desviar do amor e viver sem se descontrolar ou magoar, ou o rapaz ávido em descobrir seus sentimentos mais profundos, apaixonado pelo silêncio dela mesma.

sábado, 18 de setembro de 2010

Eu te encontrei dispersa, catatônica. Seu mundo desigual sempre fora desinteressante para mim; você estava vestida em cores solitárias, e seu corpo preso a algo do passado que me fugia à memória.
Eu simplesmente esqueci, que tudo o que você via era o constrangimento do seu mundo, exposto ao meu. Uma necessidade violenta de ser amada; uma montanha-russa de inconstância. Eu descobri o amor arraigado na miséria dos sentimentos e das coisas quietas que jamais deveriam ser descobertas.
Minha criança, fria e solitária. Presa num estupor de lembranças. Os longos anos não têm sido generosos conosco, mas eu me abstive de suprir minhas próprias necessidades, quando via que o tempo parecia secar toda a sua alma, outrora juvenil e delicada.
Você sorri para mim, enquanto eu vejo sua pele de porcelana estática. Agora a deixo à mercê dos vermes e das coisas que te perseguem quando você está só. Você me diz que não vai conseguir sobreviver novamente e que não há uma alma como a minha; enquanto me vou com o fragmento da minha individualidade restante e fecho a porta. Abandonei sozinha a minha melhor e a pior lembrança, construída inteiramente no meu imaginário. Minha criança, minha amante, eu espero que seu rosto catatônico regozije-se no escuro do seu interior.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Clipes Musicais Adoráveis e Questões Eclesiáticas Pouco Difundidas = Paradoxo.

Já que o Tumblr é fresco e a verdadeira personalidade por trás destas páginas já se cansou das burocracias digitais, aí vai a sequência de vídeos, de qualquer jeito mesmo. Eu sei que vai ser um esforço muito grande pra você clicar em cada um deles para assistí-los, mas não custa nada pedir para que você o faça...

Mas antes de qualquer coisa, eu terei de explicar à minha querida amiga Lourdes os motivos que me levam a tamanho extremismo. Em primeiro lugar, eu não tenho tantos amigos leitores quanto você, graças a isto o meu blog vive do meu tempo livre, sem qualquer tipo de público fiel. Além disso, postando esta seleção aqui, pode ser que você acabe encontrando algum motivo para dar algum significado a ela, tal qual outras pessoas, que vez ou outra lêem os seus maravilhosos textos (se estiver lendo isso agora, venha tirar satisfações comigo, tenho uma proposta que pode ser do seu interesse). Então, por favor, não me mate, e nem tente destruir a minha vida. E sim, eu estou implorando.


Aí vai a sequência, sem comentários mesmo, pra não ocupar muito tempo--gostaria de deixar bem claro que eu não estou fazendo um TOP 10, estes videoclipes foram postados de forma aleatória, sem qualquer tipo de preferência quanto as suas ordens:

http://www.youtube.com/watch?v=PzvveVJgWkM&feature=channel
http://www.youtube.com/watch?v=i6gHLHbYVeA
http://www.youtube.com/watch?v=atjafwS9Za8
http://www.youtube.com/watch?v=BKXKWBcaV3A
http://www.youtube.com/watch?v=UnTrbvg4wNg
http://www.youtube.com/watch?v=TxkMu8aNJDY&ob=av2e
http://www.youtube.com/watch?v=PzvveVJgWkM&ob=av2e
http://www.youtube.com/watch?v=VXa9tXcMhXQ
http://www.youtube.com/watch?v=WT1LXhgXPWs
http://www.youtube.com/watch?v=GQq4UEL__DI
http://www.youtube.com/watch?v=iFPVWgQHWZA
http://www.youtube.com/watch?v=-6yantixZ5c
http://www.youtube.com/watch?v=6Zbi0XmGtMw
http://www.youtube.com/watch?v=8z1hwtDS97E
http://www.youtube.com/watch?v=EEU-PNQwdWM
http://www.youtube.com/watch?v=PyHaqEK394I
http://www.youtube.com/watch?v=BQAKRw6mToA


quinta-feira, 29 de julho de 2010

Acordei de um sonho que se vertia em memórias belas e tristes. Eu desejei poder dormir mais um pouco naquele dia.
Oh destino, por Deus, livrai-me do fardo que esse torpor causa em mim. Como disse Rilke num fragmento de pensamento (não concluído aqui): “A carne é um fardo”, meu fardo é atemporal, é a dependência da solidão. O claustro irregular que se manifesta em meus pesadelos e em meus sonhos ébrios.
Voz trêmula de um medo que não me cabe mais. Vivo com uma consciência da qual já não posso fazer parte. E não choro. Não é que já chorei o suficiente, não é como se as lágrimas passadas fossem um pré-requisito para a situação atual. Isso tudo é ocasionado pelo torpor.
A decepção de descobrir que o que há de eterno pode se valer da fruição dos sentimentos indizíveis, e ir embora como se nada nunca sequer tivesse existido, e tudo não tivesse passado de um sonho ou um devaneio ébrio.
Sou cercada por pessoas, por oportunidades, por destinos paralelos e por promessas de felicidades duradouras, mas eu ainda não pude ser acordada.
Não há primavera, ou verão, ou sequer inverno. Minha mente fica estagnada num outono que é preenchido pelas memórias que deveriam ser destrutivas. Mas sinceramente, elas já esmaeceram com o tempo – agora resta o resquício da idealização, a subjetividade daquilo que não foi completado, o paralelo do feliz e triste. Não há felicidade ou simplesmente a sensação desprendida de nenhuma pendência com todas aquelas coisas indizíveis trazidas pelo amor. É como um sonho, um estado de coma, que me priva da tristeza, das lágrimas. Me priva da sensação da profundidade, preenchida pela dor da perda.
A ausência de sentido, a essência do abandono, do inexplicável, do indescritível e de tudo aquilo que eu já não posso esperar se tornaram um fardo.
O fardo da consciência de que a minha profundidade é preenchida por nada – por eu já não me conhecer mais como eu achava que conhecia. Por uma idealização que foi dissolvida com o vento; com as promessas do eterno corrompidas pela realidade. Oh vida impassível aos tormentos da humanidade, tens participação em algo, ou somente eu tenho culpa por manter esse resquício resguardado em meu coração? A resposta está na própria pergunta.
E é tudo tão fugaz (o próprio infinito), que o que há de eterno em mim agora, amanhã pode esmaecer e virar pó, e eu já não me reconhecerei com o tempo – ou sequer lembrarei de honrar minha solidão claustrofóbica presa na quietude desse lugar mudo.