Agora, não se ouve ruído algum. Penso com clareza em pensamentos inócuos, outrora perniciosos e cobertos por uma neblina sentimental.
Descanso, quietude. Já possuí muitas gêneses e consciências repentinas. Agora percebo o peso que se fora, com a desistência aparente da falta. Não a falta universal - a falta que me faz carecer de um grande sentido de existência - mas a falta do Outro.
Momentos de insanidade poupados; uma espera silenciosa. Uma consciência vigente: a falsa libertação. A desistência anunciada camuflada pela defesa inconsciente.
Sinto falta da infância, da surpresa, do agrado. Hoje sou agraciada pelo auto-engano paradoxalmente racional, a superficialidade dos bens materiais, o imediatismo, a distopia. Memórias reminiscentes deformadas, vertidas em algo belo.
Uma passividade imersa em complexidade, um lago pequeno, mas profundo. Um penhasco que atentará em vertigens aquele que se atrever a olhar. Torço para que seja a vertigem que incitará o mais despreparado a um mergulho na escuridão.
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