e perseveras a repreender as
divindades;
ainda renuncias
a imponência com teu desgostoso
olhar.
uma incógnita para minha
percepção
que o indelével até então o
sustente
em seu asilo, mesmo que
precário.
teu olhar sobre
tudo o que é infindável
recordação do definhamento;
errante pela agonia
dos intervalos, ansiamos por
idealizar;
mas a imprecisão nos repreende:
refletir tolhe o
rumo da eternidade.
torna-se débil, como algo
restrito
qualquer, sem alma.
então, a comoção:
o cosmo aparenta
revolutear-se; todavia a essência
das matizes do universo
permanecem
nebulosamente impassíveis.
desarranja-se num reflexo
lacustre
a claridade do sentido da existência
símbolo.
mesmo para a tumba há óbito.
a totalidade se movimenta.
encabula-te de tanto hesitar;
partiram a destreza, o desejo, o
vigor;
sobrando apenas
aflição e delírio.
[como se
como se não a pudesses abandonar,
a matéria, como se
te revolvesse sem propósito, sem
propósito
houvesses escancarado o peito,
glorioso
com vastas possibilidades
ao céu, irrestrito;
cada expressão te estagnava,
cada frase te interrompia
suspenso, nas palavras:
mesmo teu desconhecimento
parecia há muito compreendê-las]
ansiavas a compreensão;
definhando,
extingue-se o desejo;
desconhecer: eis
o infinito.
os espaços de tempo são curtos;
o chão absorve tua sombra,
perscrutando a matéria.
por tantas vezes perturbou tua indiferença
em melancolia acometida.
todavia, agora
permaneces resignado
definha pelo próprio testemunho.
é inevitável: calidamente as
divindades,
o acolheriam,
num fôlego poderia retê-lo,
e perguntar-lhe: és meu?
[talvez num delírio acometido
pela culpa enevoada –
melhor do que me firmar sem a tua
presença]
então, para nós, silencioso e
indefinido,
o porvir se transforma em ode.
todavia, certamente
tolamente os mortais
em delírios e choros,
afligem-se por seus corpos
por seus mortos,
pois derramam prantos
por ilusões enfraquecidas:
as reminiscências da alvorada do ser.