No âmbito onírico, caminha inadvertidamente por um deserto.
Obscurecida a vista do sol e da areia branca.
Morosa massa plúmbea encobre o brilho,
Enquanto o sombreado descansa sobre o cume das ruínas
De uma torre, há muito esquecida -
dos espaços de tempo
Indiferentes.
Na parte interna, escuridão, a que embarga
A visão – percepção soberana, mundana.
No declive, apenas o tato,
Tem por orientação paredes indefinidas, pregueadas,
Inumeráveis lances de escadas,
Sempre os mesmos.
Ao fundo, se ouvem ecos de aflições,
Acima, vibra uma queda de pedras.
Num choque ininterrupto em acercamento,
Mas sem surgir – ou abandonar a posição.
Passos peregrinos, sem sustento nem sentido.
Dissipou-se o começo, em passagens excludentes;
Trilha sem acesso, ser em suspensão,
Por meio do declive penoso,
E a subida frustrada, aguarda, desconexo,
Numa umidade espessa, sufocante –
Num fastio perene,
Esquecido da crença no acordar.
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