segunda-feira, 7 de março de 2016

Por muito tempo, os olhos observam
O mesmo trajeto monocromático,
A inalterada noite branda;
Já inquietos.

Com memórias excludentes,
Cede existência a uma dor aguda,
Que reverencia
O pessimismo que emerge;
Pernicioso raciocínio -
E o que menos se dissipa.

Da avenida, luz débil e obtusa.
Na residência, pensamentos no escuro.
o vento agitando a cortina;
a mão tateia um cigarro.

Mariposas de fumaça,
Colidem entre si pelo recinto
Até que hesitam pela fresta da janela
Retornando.

O semblante abatido –
Um lamento.
Ferem os lábios, as palavras não ditas;
Reprime a fala, o Tempo que se foi.

E ascendendo em júbilo raso,
Amainado,
No abraço frívolo da embriaguez;

A própria essência, a fumaça não tolera
E se evade para a imensidão, suavemente.
Lá fora, 
O mundo é desperdiçado.

Inerte, com as pálpebras pesadas,
Reduz-se ao amontoado do quarto.
Avista o percurso no ar cinzento,
Exaltando a fuga em direção ao céu.

Ilusões,
Já sem pertencimento.
Vocábulos
Que afligem as emoções.
Tomam forma num acréscimo
Ao escuro.

Por momentos,
Acoberta tuas insatisfações:
Aligeira-se as horas –
Estagnado.
Precipita os dias –
Em pretensa indiferença.
Equiparando os dias -
Desgasta-se o existir.

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