domingo, 1 de novembro de 2015
Nada importará
na elevação do céu, não há o afastamento do olhar na nuvem cinza e indolente;
nem balbúrdia acima dos prédios, nem indiferença naquilo que o vento dos lugares mais altos trás consigo. Enxerga
os anjos? Ouve suas vozes? Atenta à velocidade capciosa dos carros, o lamento
contínuo dos pneus percorrendo o piche. Percebes? Me diga então, o que te faz ficar,
como se a vida fosse resignação, paciência e solidão. Permaneces alheia, como
se o universo te sorrisse e te enxergasse, mas não te amasse por completo, como
você o ama. Vá, menina. Não há nada aqui. Voe e procure algum infinito para se
estabelecer. Daqui te enxergarei, indo, indo, despedaçando-se no horizonte.
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